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27 de mai de 2012

Os Botões de Napoleão - As 17 Moléculas que Mudaram a História




Esse livro coloca a química como um fator importante em diversos momentos da história da humanidade. É uma mistura perfeita de química e cultura.
Escrito por uma dupla de cientistas franceses que recria saga da civilização inspirada em moléculas orgânicasconhece bem o assunto: Penny Le é professora de química no Capilano College, no Canadá, há mais de 30 anos. É autora de diversos cursos de educação à distância em química e recebeu o Prêmio Polysar de ensino de química em universidades canadenses. Jay Burreson, tem doutorado em química e trabalhou como químico industrial durante muitos anos. Recebeu uma bolsa especial dos Institutos Nacionais de Saúde para pesquisa de pós-doutorado em produtos naturais marinhos, na Universidade do Havaí.
O assunto desperta o interesse de químicos, historiadores e de todo leitor que tenha curiosidade em compreender como algo tão pequeno quanto uma molécula pode contribuir para desencadear processos de caráter político e econômico.Exemplo disso,  foi o fascínio por especiarias que levou os exploradores portugueses encontrar rotas alternativas para Índia e comprar especiarias direto da fonte. O objetivo era quebrar o monopólio dos venezianos, que eram soberanos mundiais das especiarias e tiveram um controle quase que completo durante quatro séculos. Mas um dos resultados foi a descoberta de um novo mundo.  A  disputa pela noz-moscada  resultou no tratado de Breda, de 1667, quando os holandeses trocaram com os ingleses sua posse da ilha de Manhattan por uma ilhota na Indonésia que dispunha das condições ideais para o cultivo da noz-moscada. E o que seria a Nova Amsterdã tornou-se o centro econômico do mundo atual, a cidade de Nova York. Tudo isso por causa das moléculas encontradas nas especiarias.
O açúcar, o ácido ascórbico, o ácido oleico do azeite e o sal, revolucionaram a alimentação européia; e o vício por moléculas como a morfina, nicotina e cafeína, motivaram as grandes navegações, revoluções e o colonialismo.
Essas e diversas outras histórias curiosas são abordadas ao longo dos capítulos que trazem uma fascinante análise de 17 grupos de moléculas que, extraídas da natureza ou fabricadas em laboratório, alteraram nossa civilização para sempre.
Para auxiliar os leitores na compreensão das conexões químicas, os autores incluem no livro um breve apanhado de termos químicos e estrutura químicas de todas as moléculas citadas: "Pensamos que a compreensão delas dá vida à trama de relações que une química e história".
A história que dá nome ao livro baseia-se na teoria de que o estanho - material com que se confeccionavam os botões dos uniformes das tropas napoleônicas - se esfarela a temperaturas muito baixas. Esse fenômeno químico teria contribuído para a derrota do imperador francês na campanha da Rússia, em pleno inverno glacial. Afinal, seus soldados não dispunham de mãos suficientes para segurar as armas e, ao mesmo tempo, impedir que seus uniformes se abrissem, expondo seus corpos ao congelamento.

Os autores admitem não poder provar a veracidade dessa teoria. Eles começam a introdução de seu livro com essa história para demonstrar como coisas tão pequenas como botões podem fazer a diferença em um momento decisivo da História.

O livro é uma boa indicação para o Ensino Médio, em trabalhos interdisciplinares entre professores de química e história. Ou ainda para os professores das demais disciplinas, já que o livro contempla uma série de temas interessantes.

Os Botões de Napoleão 
Autores: Penny Le Couteur e Jay Burreson 

Tradução: Maria Luiza X. Borges 

Editora: Jorge Zahar 


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